"A expressão alter ego é uma outra personalidade de uma mesma pessoa podendo ser um amigo ou alguém próximo em que se deposita total confiança."

"A "massa" quer dizer uma mistura homogênea, sem forma, sem identidade, onde as individualidades, as opiniões se perdem, restando apenas um aglomerado de pessoas, onde se pode identificar uma diversidade de gostos, características, cor, credo, etc., mas que não são direcionados, não são engajados, que de certa forma estão perdidos por não serem concentrados em uma causa única, ou algum propósito."

sábado, 24 de setembro de 2016

Maldito motorista do 26

A diferença entre gostar e amar, pode ser descrita pela intensidade.
Se você gosta, você é mais intenso, mais romântico, mais carinhoso.
Se você ama, você é menos intenso, menos romântico, menos carinhoso.

Entramos no 26, ônibus que faz a linha Ponta Negra - Soledade II. Ela sentou, eu fiquei em pé. O moço que estava sentado ao lado dela, percebeu que estávamos juntos, e em um gesto raro de generosidade ele levantou-se e deixou que eu sentasse. Ficamos agradecidos. Ela, com sono, deitou sua cabeça no meu ombro. Eu, carinhoso, acariciei seus cabelos. Ficamos nessa overdose de carinho por algum tempo, alternando entre: beijos no pescoço, cafuné, beijos apaixonados, beijos despretensiosos e beijos de qualquer forma. O motorista estava mais rápido do que o normal, pelo horário essa era a sua última viagem do dia, e muito provavelmente ele estava com fome e sono, e uma mulher que talvez o amasse lhe esperava em casa. Logo após uma bela troca de carinhos que resultou em mais um beijo saboroso, ela olhou pra mim e disse - maldito motorista do 26, eu concordei com a cabeça. A próxima parada era a minha, nos despedimos e desci. Como gostamos um do outro, e o álcool fazia efeito tanto em mim quanto nela, ficamos tristonhos pelos momentos de carinho terem sidos tão breves. Se nos amassemos, provavelmente teríamos nos despedido e cada um seguiria seu caminho de volta para casa, pensando nos problemas a resolver no dia seguinte.

PS: esse texto não tem como intenção depreciar o ato de amar, mas sim enaltecer o ato de gostar.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sensações

Hoje, ao rever os lances das eliminações Brasileiras no futebol e no vôlei, me veio a memória uma música do Paralamas, que para mim resume todas as sensações pós jogo por qual as meninas passaram.

"Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar"

Não há como suportar tamanha pressão, quando chega a noite e os pesadelos do jogo retornam a mente, o choro torna-se apenas consequência. 

"E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar"


Foto: Vanderlei Lima/AFP

Especialmente para as meninas da seleção feminina de futebol. Inúmeras as vezes que bateram na trave, incontáveis são as cicatrizes na alma causadas pelos Jogos olímpicos. Mas, como nem tudo são trevas, elas ainda sabem se virar, levantar a cabeça e dar a volta por cima. Felizmente!

"Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar"


Foto: EFE

Não se desesperem! Olhem para o horizonte, há uma luz no final do túnel, depois da tempestade vem sempre a bonança. É hora do recomeço, estamos lhe esperando, e por favor, vê se não vai demorar.

Por fim, curtam essa música show, na voz de Maria Gadú!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A geração que tudo idealiza e nada realiza


Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.
Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.
Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.
Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.
Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social.Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais.Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.
Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.
Texto: Marina Melz